Go to Top

Vaidade

“A vaidade é a mentira que contamos sobre nós mesmos para não encarar a verdade”.

      Um dos sete pecados capitais, a vaidade nasce da supervalorização do “eu” em detrimento do nós…  O vaidoso precisa se colocar acima dos outros: “Eu sou o mais corajoso, nada temo”. “Eu sofro mais do que a maioria, eu conheço mais as pessoas do que a maioria conhece, ninguém me engana”. Assim, sentindo-se “mais” do que a maioria, o vaidoso alimenta-se do prazer de cultivar o “eu”, alimentando um ego voraz.

      Para os religiosos, a vaidade é um desvio em que a pessoa ama um ser criado, no caso, “ela mesma”.  É como se, ser hábil, inteligente, bonito, eloquente, fosse um motivo para ser vaidoso, enquanto que, estas características não seriam conquistas pessoais e sim, habilidades concedidas por Deus. Portanto, não seria correto se vangloriar de algo que não foi conquistado por  esforço, e sim por presente Divino. Assim, nasce o pecado da vaidade.

Ainda dentro da história religiosa, temos  Santo Antão que, vivendo em uma caverna e passando praticamente uma vida toda jejuando e sendo tentado pelo Demônio com todo tipo de provação possível, próximo de seus 105 anos foi dado como vencedor pelo Demônio, afinal, passou uma vida de sacrifícios e manteve-se firme em seu sacrifício.  Assim, livre das tentações do inimigo, ajoelhou-se e agradeceu a Deus por ter resistido e por ter finalmente merecimento para ser designado santo. Neste momento, ouvindo a expressão da vaidade de Antão, o Demônio voltou… Antão venceu todas as vaidades, menos a de desejar ser santo.

Toda vez que nos vangloriamos por sermos honestos, sinceros, fiéis, esforçados, estamos alimentando o orgulho, irmão da vaidade.

      Na psicanálise temos a visão sobre o mito de narciso que, seduzido pela sua própria imagem no lago, apaixona-se por seu reflexo. A ninfa Eco, apaixonada por narciso, repete seu nome constantemente. Narciso morre perdido em sua própria imagem refletida. A igreja medieval dizia que dentro de cada espelho havia um demônio. Em um paralelo aos tempos atuais, quem assistiu o filme “Divergente” notou que a casta da “abnegação” não poderia olhar muito tempo no espelho para não cultivar a vaidade, o que contraria a humildade deste clã.

      Vivemos nos comparando com os demais o tempo todo. A vaidade nos faz comparar com os “de baixo” e a inveja com os “de cima”. Acontece que após a vaidade vem a realidade e ela traz um vazio, uma necessidade de algo mais. Para preencher este vazio de dentro, estratégias não faltam: cirurgias plásticas, carro novo, viagens, roupas, festas, fotos no facebook que demonstrem um estado de invejável felicidade, enfim, muda-se fora para alimentar temporariamente o vazio de dentro.

      A ave que representa através da arte a vaidade é o pavão, que com suas plumas exuberantes e coloridas tem sua presença marcante.  Diz-se que ele queria ter pés bonitos e voz maravilhosa mas Juno, sua dona, disse a ele que não se pode ter tudo. E isso é um fato que para o vaidoso é deprimente.

Mas, será que conseguiríamos viver sem vaidade alguma? Não seria também uma vaidade se orgulhar por não ter vaidade? A vaidade é inerente ao ser humano e se ela não traz um sentimento de superioridade frente aos outros, se ela não escraviza o ego fragilizando a essência, ela pode ser um aspecto positivo que ajuda na obtenção das metas, na visão positiva sobre si mesmo, na valorização das pequenas e grandes conquistas, na administração da autoestima.

      Desejo que nossas vaidades nos façam melhores a cada dia, não para os outros, não com relação a ninguém , mas melhores com relação a nós mesmos. E, se algo não der certo, talvez seja para não ficarmos soberbos demais, talvez seja o sinal de alerta avisando que poderíamos ultrapassar a linha tênue entre a saúde e a doença.

http://jornal100porcentovida.com.br/silvia.html

Comment (1)

  • Daiele 13 de abril de 2015 - 15:56 Reply

    lindo, esclarecedor e único, procurei algo pra ler hoje que fosse claro e objetivo, encontrei o que precisava nesse artigo, saudades das aulas com você Silvia, saudades da faculdade e de todo aquele universo que vivi. Obrigada por tudo, por ser quem você é e permanecer sendo excelente no que você faz independente dos desafios e obstáculos encontrados pelo caminho. bjooo grande no seu coração, foi maravilhoso conviver um pouquinho com você e aprender tudo que você pode nos ensinar…… seja feliz sempre … Deus abençoe sua vida cada vez mais … Att Daiele Krisley…..

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*