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Traição

Será que existe uma explicação lógica e coerente para justificar a traição? Será que só existe uma explicação ou seriam inúmeros os motivos que levam alguém a trair?

Realmente não é possível estabelecer um padrão. Homens traem por pura diversão, mulheres traem por carência de atenção. Homens traem para provar masculinidade, mulheres para chamar atenção.

Existem basicamente dois tipos de traição: a traição sexual e a traição emocional.

A traição sexual é mais comum nos homens por uma razão muito simples: o homem é visual, concreto e socialmente incentivado desde criança a viver sua sexualidade intensamente. Mas isso não significa que todos os homens, escolham trair. É uma escolha transformar o desejo físico em fato ou não. Conta na decisão a percepção moral, a ética pessoal, a maturidade emocional e o autocontrole.

A autoestima também é fundamental, ou seja, pessoas com baixa estima tem dificuldade em dizer “não” e gostam muito da sensação de serem desejadas. Procuram amor verdadeiro e fazem sexo apenas como pedágio para sentirem-se amadas. No entanto o “porre” é brutal quando, no dia seguinte, percebem que foi uma relação fugaz com objetivos distintos, gerando solidão e mais carência. E, para aliviar a carência, envolvem-se novamente esperando o amor verdadeiro.

A traição emocional é muito mais perigosa e danosa pois envolve paixão, envolvimento e expectativa de continuidade. Normalmente mulheres que estão em um casamento tedioso e pouco estimulante em que o parceiro não parece se incomodar nem se desacomodar, apaixonam-se romanticamente e desejam ser salvas do castelo em ruínas que chamoram um dia casamento.

A rotina na relação, o descaso com o casamento, a acomodação, a falta de elogios, a falta de desejo sexual, o fim da admiração, o jogo tirânico de quem manda e quem obedece, a tentativa de anulação do parceiro, enfim, as faltas criam um espaço que pode ser preenchido por excesso de trabalho, excesso de compras, excesso de comida e traição.

A traição, assim como a doença física, é um sinal de que algo vai mal. E, por mais paradoxal que pareça, a traição muitas vezes serve para manter casamentos. Muitos casais buscam fora o sexo que não tem dentro de casa ou a atenção que falta no lar. E porque essas pessoas traem e não se separam? Porque se gostam, porque querem outras coisas que julgam essenciais em seus parceiros e não querem um outro casamento. Buscam apenas preencher lacunas que as ajudam a manter o bom astral, a tolerância, a parceria, a amizade, e porque não dizer, o amor. Parece loucura pensar assim, mas acontece e muito! Somos complexos e complexados…

A traição também pode ser um divisor de àguas muito produtivo. A partir da revelação da traição ou da descoberta traumática que é se perceber traído(a), o casamento pode ser revisto e modificado totalmente. Na psicoterapia o casal trata as mágoas e entende qual ou quais as faltas propiciaram a entrada de um terceiro elemento na relação. Se houver sentimento nesta relação, a traição pode ser a grande oportunidade de devolver a saúde ao relacionamento. No entanto, se o orgulho falar mais alto que o sentimento e que o desejo de recuperar o relacionamento, o casamento infelizmente acaba. Digo infelizmente porque muito provavelmente, com a ajuda da psicoterapia, poderia ser resgatado.

De forma alguma quero dizer que traição é recomendável. No entanto, preciso afirmar que pode ser apenas um sinal amarelo, uma vírgula e não um ponto final.

Silvia Barros
Psicoterapeuta e psicóloga

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