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Professor, com que olhos você vê seus alunos?

“Professor, trate de prestar atenção no seu olhar.
Ele é mais importante que seus planos de aula.
O olhar tem o poder para despertar ou intimidar a inteligência.
O olhar tem um poder bruxo!”

Rubem Alves

É possível enganar com boas roupas, uma eficiente oratória, com um sorriso envolvente, mas com os olhos, NUNCA!

Os olhos revelam nossas íntimas intenções, mesmo sem querer. Eles denunciam aquilo que não conseguimos ou não queremos dizer.

A criança lê o professor inteiro, ela percebe as nuances de seu modo de ser, ela sente muito mais que os “adultos”.

O professor precisa se desvincular da idéia de que as crianças aprendem o que ouvem. A aprendizagem se dá pelos poros, pelos órgãos dos sentidos, pelo encontro das almas.

A criança aprende pelo cheiro, pelo sabor amargo ou doce que as aulas lhe despertam, pelo som agradável que pode ser a voz do professor, pelo que seus olhos parabólicos podem captar de beleza no processo de aprender.

A criança aprende pelo tato quando tocada por mãos carinhosas e sinceras daquele que sabe que o corpo é tão ou mais importante que a cognição. A corporeidade é algo que deveria ser melhor estudada pelos pedagogos. Aquilo que se vivencia possui outro significado, torna-se inesquecível…

No corpo, imprimem-se marcas profundas de amorosidade ou rejeição, de aproximação ou negação. O professor deve perceber em seu corpo se existe coerência entre O QUE ele diz e COMO ele diz.

A criança admira seu mestre, deseja ser como ele, ser filho(a) dele, ser visto(a) e querido(a) por ele. O professor passa, mesmo sem querer, um modelo de como ser homem e mulher, como se comportar, como falar, como construir o papel de gênero de seus pequenos.

É uma responsabilidade imensa, um desafio, uma verdadeira opção de vida.

Quem se propõe a trabalhar com gente, quem escolhe esta grande responsabilidade de ser modelo na formação do caráter, da personalidade, da sexua-lidade, do prazer, do conhecimento e da ética, deve cuidar do próprio equilíbrio, observar sua postura, sua maneira de se comunicar, suas convicções, seus preconceitos, seus tabus. Quem escolhe educar deve se rever, se transformar, se reconstruir mil vezes…

Os olhos não são somente peças anatômicas em si, são vivos, falam por si, denunciam, alardeiam o que se passa no íntimo – os olhos são escandalosos, verdadeiros, debochados, escancarados, poderosos…

Cuidar dos olhos e do olhar é cuidar do EU. Só podemos cuidar dos outros se primeiro cuidamos de nós, porque ninguém doa o que tem em falta.

Ser educador é estar atento ao que ocorre de mais íntimo e silencioso na troca de olhares entre professor e aluno, é decodificar o código do sentir, é nunca deixar que a rotina ofusque o brilho deste encontro.

As melhores lembranças que carregamos da fase escolar não se relacionam com o aprendizado do teorema de Pitágoras, com fração, com raiz quadrada, com adjetivos, substantivos e verbos, com mmc, com a Revolução Farroupilha, com densidade demográfica ou fotossíntese. As melhores recordações se relacionam com o jeito doce de um educador, com as palavras duras e firmes no momento certo, com a capacidade de doação, com o desejo de ensinar à todos, com o cheiro da sala de aula , do professor, da escola… As melhores lembranças são afetivas, são emocionais, são as sutilezas e delicadezas cotidianas que fizeram toda a diferença.

E, fazer a diferença neste campo tão bombardeado por burocracias e cansaço, é a verdadeira missão dos educadores, encantadores de almas, formadores de inteiros, donos de olhares que enfeitiçam como bruxos os corações que neles confiam.

Portanto mestres, cuidem de seu      olhar!  Cultivem o afeto e não percam a noção que ensinar é como fazer amor; se faz a dois, é preciso aquecimento, é necessário haver química e com amor é muito melhor!

Silvia  Barros

Psicóloga clínica, assessora em escolas municipais e particulares, sexóloga e psicodramatista

Fones: (19) 32941005 / 32526513
psicodrama@uol.com.br

www.silviabarros.com 

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