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Mulheres A Beira Do Abismo

Toda mulher inteligente já se apaixonou por um erro. Já se en­cantou por uma ilusão romântica, já investiu todas as fichas num projeto amoroso de mão única.

Estas histórias começam sempre da mesma forma e terminam em um mar de solidão e desesperança. No fundo todas as mulheres sa­bem que estão pisando em solo estéril, mas não dão ouvidos à própria percepção, jogando a in­tuição no fundo de uma gaveta. A relação começa bem, tudo dentro das expectativas, na pro­messa de se tornar o melhor e maior projeto amoroso de toda uma vida, vestida de ilusão, deco­te e salto alto, tudo parece per­feito; porém, em pouco tempo aparecem as primeiras “descul­pas” para todo e qualquer vacilo.

Celulares sem bateria, sono atra­sado, trânsito, e todos os pretextos possíveis para justificar escapes, mentiras evidentes travestidas de pretextos. Logo ela desconfia, sente, percebe, mas briga consigo mesma se achando paranoica e exagerada. A paranóia aumen­ta com o tempo e a insegurança toma conta mas, ao mesmo tem­po vem a certeza de que seu amor puro e verdadeiro fará com que o outro mude. Claro, somos toma­dos pela obsessão pelo final feliz. Esta experiência de enganar a si mesmo chama-se autoengano e acontece de formas di­ferentes cotidianamente com todos nós. Apostar que a dieta começa na segunda, que a aca­demia no mês que vem dará certo, e que no próximo ano.

Tudo vai magicamente mudar, são alguns exemplos comuns.

A pessoa que se autoengana vive iludida e com uma falsa sensação de poder pois encarar a vida real é muito duro para ela. Assim, passa seus dias cultivando um jardim de ilusões regadas à hipocrisia e falso poder ao invés de viver a vida como ela é. Há aqui um grande risco de confun­dir fantasia e realidade e preferir estar constantemente na fantasia. Algum nível de autoengano pode salvar o indivíduo de situações que gerem nele muita insegurança, porém, há que se saber a medida.

Mulheres que se autoenganam vestem um óculos embaça­do e, apesar de saberem disso, temem tirá-lo porque a fantasia oferece uma chance de mudança, uma esperança de dias melho­res e a realidade oferece solidão. Pensando assim, permanecem em relações onde reina a ilusão.

Interessante refletir porque mu­lheres inteligentes e bem sucedi­das profissionalmente se envol­vem nestes projetos emocionais falidos. Conheci mulheres dominadoras no trabalho, poderosas e de sucesso que no fundo dese­javam ser dominadas. Outras que temiam profundamente a soli­dão e se deixavam ser escolhidas ou ainda as que não se sentiam merecedoras de algo melhor…

O grande desafio destas mulhe­res é ousar! Ousar ser feliz de verdade, sem óculos embaçados, sem autoenganos, sem medo. A realidade pode não ser tão ro­mântica, mas oferece uma chance verdadeira e sólida de felicidade enquanto a outra opção mascara a realidade, ilude e machuca de forma cruel.

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