Go to Top

Felicidade Conquistada

A vida que temos e a vida que escolhemos

Muitas pessoas tem resistência a parar e reavaliar a própria vida. Esta resistência advém do medo de chegar a conclusão de que está tudo errado. A mais frágil possibilidade de encarar a dor de perceber uma existência sem sentido nos faz sacudir os pensamentos, como cachorro que se chacoalha depois de molhado, porque assim, continuamos a viver na ilusão de estar tudo como deveria estar.  Como já sabemos, a ignorância protege.  Protege do sofrimento, protege da urgência da ação, protege da dor, protege da vida…  Sair da cortina de fumaça que divide a vida possível da vida ideal é assumir as rédeas.  Por quê tanto medo de correr riscos se todos os dias corremos o risco de escolher errado, de sermos assaltados, de sofrer um AVC, de batermos o carro, de descobrir uma doença, de parar de respirar.  Falando em respirar, quanta gente não respira, não deixa o novo entrar e o velho sair. Quanta gente apegada aos acontecimentos, ao status quo, aos velhos hábitos, as velhas roupas, ao trabalho que não recompensa e não compensa, ao casamento que de tão envelhecido já não respira mais…  O apego é um grande elemento dificultador de mudanças porque, junto com o medo, nos faz cristalizar, ficar como doce em conserva, intactos, impactados, compactados, endurecidos, infelizes com o sorriso amarelo do conformismo.  Aceitação e conformismo são coisas muito diferentes. Aceitação diz respeito aquelas coisas que não se pode mudar, a sua estatura, a perda de um ente querido, uma doença que impossibilita fisicamente, uma demissão, uma desilusão.  O conformismo é a covardia de encarar a luta pela mudança, é a paralisia frente ao que pode ser mudado, é a preguiça de assumir a própria vida e os riscos que advém da ousadia de ser feliz.

Existem pessoas que têm o hábito de terceirizar as  “culpas”, responsabilizando o parceiro, o trabalho, a má sorte, a mãe ou o pai por uma vida sem brilho, sem sentido, sem emoção, sem perspectiva. A responsabilidade é de cada um. Somos responsáveis quando aceitamos e nos acomodamos, quando nos sentimos fracos para desbravar o novo , se atirar no abismo com confiança de que nada pode ser pior do que uma vida morna.

Ninguém nos faz infeliz sem nossa permissão, ninguém nos desvaloriza sem que antes nós mesmos não façamos isso. A vida é um reflexo do que queremos ,desejamos e acreditamos que merecemos. Assim, uma vida é uma nau que aceita os comandos, a bússola, que determina a direção ajuda quando a pessoa sabe onde quer chegar. A opção “ficar parado” também é uma possibilidade.  Finalizo com um trecho da crônica de Sarah Westphal:

 “ De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar a alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu”.

http://jornal100porcentovida.com.br/silvia.html

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*