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Complementando nossas lacunas

É muito interessante observar o que move alguém em direção a um parceiro. Se perguntarmos para uma pessoa casada sobre o motivo da escolha do parceiro, com certeza ouviremos como explicação: porque ele é bem humorado, charmoso, honesto, carinhoso, responsável, ambicioso, etc… É bastante provável que estas características sejam reais, porém, se buscarmos mais a fundo nas razões ocultas que são responsáveis pelas escolhas, veremos que existem motivos que vão além daqueles tão óbvios que trazemos para o plano da razão.
Muitos são os fatores que fazem com que haja atração e desejo. O cheiro é uma delas. É o que chamamos de “química” sem nem mesmo saber direito como isso acontece. Ainda ouço a velha história de encontrar a metade da laranja… Pois é, se buscamos encontrar “metade”, é porque somos metade, não é? E se somos metade, encontraremos uma “muleta” que nunca vai poder nos deixar, porque se isso acontecer, morreremos. Isso é muito mais comum do que parece e apesar dos opostos se atraírem, sabemos que na prática, eles vivem brigando e que os semelhantes conseguem uma maior harmonia e qualidade na relação.
Normalmente, as pessoas que procuram sua “metade”, desejam compensar suas faltas, por exemplo, quando são carentes de pai e mãe, buscam no parceiro tais figuras, o que complica a vida sexual porque é difícil sexualizar estas figuras sagradas. Todos nós temos essas faltas, mas é na psicoterapia que elas devem ser tratadas.
Outro tipo comum de complementação patológica é aquele que junta duas fraquezas, ou seja, de um lado, temos um dominador, e de outro um submisso. São estruturas aprendidas desde a infância, na relação dos pais e aplicada à vida adulta. Um determinado casal pode ficar assim pela vida toda, até que um dos dois resolva alterar o contrato inicial e exija do outro uma mudança também, o que acontece bastante quando um dos dois passa por um processo terapêutico.
E continuando este raciocínio, vemos o alcoolista casado com a sofredora, o organizado com a displicente, a workholic casada com o folgado, etc. O preço deste tipo de escolha é pago com sofrimento e solidão.
É importante, portanto investir no crescimento pessoal, cuidar dos “traumas”, ser emocionalmente independente, economicamente auto-suficiente. É preciso ter uma boa auto-estima e saber conviver consigo mesmo, para que as escolhas sejam realmente positivas.
É saudável quando duas pessoas estão juntas porque escolhem todos os dias viver juntas e não porque dependem uma da outra. Para que isto aconteça, é preciso um investimento na própria individualidade e na consciência de que ninguém é de ninguém, de que somos livres e podemos ir e vir sempre.
Pessoas inteiras não buscam complementos, encontram parceiros de viagem.
Silvia Barros – psicóloga clínica
Fone: 19 – 3294-1005
www.silviabarros.com
e-mail: psicodrama@uol.com.br

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