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A lição da águia

Existem momentos na vida que tudo parece tão difícil que não sabemos o que fazer. Fases de perda de emprego, de relacionamentos, perda da auto-confiança, ou, mesmo sem tantas perdas, de repente surge uma fase nebulosa e cinzenta onde dúvidas povoam e afetam o equilíbrio que, até ontem, parecia tão estável…

Questões como porque a vida entrou neste modo automático e ficou tão sem graça, ou porque continuamos em um trabalho que nos tira muito mais do que oferece e tantas outras indagações que até agora nunca se manifestaram. Surge daí a dura constatação de que a vida precisa mudar. Mas, por onde começar?  Lembrei então da história da águia,uma metamorfose muito parecida com este processo humano e quase inevitável.

A águia vive aproximadamente setenta anos e, quando ela está com trinta e cinco anos mais ou menos, suas asas começam a ficar pesadas devido ao crescimento de suas penas; seu bico também cresce muito e pesa e suas garras deformadas começam a atrapalhar seu vôo e sua caça. Ela passa a voar baixo e ser presa fácil aos predadores.

É aí que a águia se vê em uma situação bastante difícil e tem que fazer a escolha mais importante de sua vida, a mais dolorosa também.

Para a águia poder viver mais trinta e cinco anos ela tem que buscar uma montanha bem alta para não correr risco de ser capturada. Chegando lá, ela deve aliviar seu peso retirando suas penas com o bico, uma a uma e depois, ela deve puxar suas unhas arrancando-as também.

Sua última tarefa é bater com o bico contra a rocha até que ele caia e deixe de pesar. Depois deste ritual de sofrimento, ela finalmente poderá viver a outra metade de sua vida em paz e renovada.

Nós humanos também sentimos quando chega nosso momento águia… É hora de avaliar nossas crenças e redimensionar a importância das coisas que valorizamos tanto. É o momento de requestionar a felicidade e tomar novas posturas.

Não é um processo fácil porque, além de extremamente dolorido, a incerteza do que acontecerá depois disso traz uma enorme insegurança.

Claro que, como a águia, ficamos frágeis depois deste ato singular, mas é graças a ele que podemos garantir novas escolhas e uma vida mais feliz e renovada.

Se a águia optasse por viver da forma como estava vivendo, ela correria o sério risco de ser presa fácil de um animal mais rápido e ágil e poderia morrer.

Assim é também com os seres humanos acomodados e medrosos, que preferem carregar suas penas pesadas, peso inútil, a ousar a busca por um caminho melhor e mais feliz.

Importante percebermos quando é o nosso momento águia que, embora sofrido, é um momento de renascimento, de fortalecimento para uma nova etapa da vida, mais madura e feliz.

Silvia Barros

Psicóloga Clínica

Tel – 19-32941005

Silvia G. Barros

psicóloga clínica

www.silviabarros.com

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